Da Falta de Planejamento ao Fim do Estado Moderno
Inspirado pelo dono da página (e a sentir-me pessoalmente desafiado por um de seus textos), fui obrigado a sair de meu resguardo como escritor para apontar, de forma clara e cruel, o próximo movimento histórico que nos aguarda. Pipoca ou lenços para as lágrimas serão necessários a depender de seu estado de espírito pelo que vem a seguir.
O relato contado pelo Admin sobre o estado de saúde de seu progenitor foi preciso quanto à realidade de grande parte da população que está à mercê da sorte ou, pior, do Estado. Digo pior, pois se há certezas nesta vida prisional da materialidade, uma delas é que o Estado vai sodomizar um cidadão desde seu nascimento e além da morte. Duvida? Tente enterrar um parente sem o devido planejamento para ver o que acontece com seu patrimônio, porém, tenha a decência de fazê-lo apenas se o ente querido estiver devidamente falecido. Ei, estamos no século XXI e um dos elementos mais raros na humanidade é o bom senso. Bem... talvez menos raro do que encontrar mulheres virgens antes dos 18 anos. Mas, ainda assim, ver tais opções é quase como encontrar um ser humano sem cloro e flúor no organismo.
Mas por que eu digo que bom senso é algo raro? Veja o brasileiro médio: mesmo com a possibilidade de ultrapassar 40% do PIB em carga tributária, as pessoas ainda correm atrás do último iPhone ou fazem viagens memoráveis. Não pelas histórias, mas por longas prestações a virar a esquina anual de calendário. Isso sem contar os momentos em que, por um mero desarranjo orgânico ou surto de vaidade (o pecado favorito do Adversário), alguém compra um SUV 0KM de uma marca chinesa, a qual não inspira confiança tal qual seu governo vigente, pelo preço de um apartamento a depender da localidade, mesmo sem precisar de tamanho paquiderme automotivo. Carnaval e Copa do Mundo? Ah... episódios clássicos e consagrados de um povo que prefere a dopamina efêmera antes de resolver questões que ainda estão precárias e/ou inacabadas.
Decerto que o Estado é um problema, ainda mais quando alinhado com ideologias totalitárias e coletivistas. Entretanto, isso não é exclusividade dos que consideram karl marx (nem coloco mais em maiúsculas) um deus materialista. Só ver como a produção energética solar foi taxada no fim de 2022. De um jeito ou de outro, o Estado quebra suas pernas, engessa-as, oferece muletas rotas e, com uma ousadia que coraria até as bochechas de Don Juan, diz “graças a mim, você tem cuidados”. Enquanto isso, o brasileiro médio, com QI de orangotango e ausência paterna, pega a Síndrome de Estocolmo e preenche tal vazio deixado pelo genitor que preferiu buscar um cigarro sem promessa de volta, seja por irresponsabilidade, seja pela promiscuidade materna.
Contudo, as fissuras desse Leviathan secular estão às vistas de muitas pessoas. O atual governo, como reflexo-padrão de anos de atraso com os EUA, fez questão de mostrar, com uma precisão cirúrgica mascarada de gritante incompetência, a escancarar os malefícios de sua existência. Ademais, não é de hoje que líderes de países, em maior ou menor grau, tomam decisões questionáveis que insuflam a opinião pública, cada vez mais amordaçada graças ao experimento perpetrado na China. Como eu dissera, não é incompetência, mas um projeto, uma blueprint digna do livro das Revelações, em uma programação preditiva quase tão efetiva quanto a da trilogia Fundação de Isaac Asimov, que explica muito do desenvolvimento da humanidade ao longo dos séculos. Não leram? Sem problemas, fica como dever de casa.
Não foi à toa que movimentos contra o Estado têm apresentado adesão crescente, especialmente o libertarianismo, defendido aqui no país com afinco por personalidades como Paulo Kogos (que é alvo de minha simpatia). Muitos dos adeptos também utilizam a Bandeira de Gadsen, criada em 1778 por Christopher Gadsden. Ou seja, a vigilância contra possíveis movimentos despóticos de um governo sempre existiu. Então, por que ainda temos esses Nephilim antropofágicos em forma de governo? Pois tudo é um processo lento e gradual para que não haja tempo para levantes populares legítimos, mas apenas os que o Sistema oferece.
Da mesma forma que Roma trocou a fantasia de Império pela do Vaticano, os reinos monárquicos absolutistas foram substituídos por países monárquicos parlamentares e, conseqüentemente, por repúblicas (funcionais ou não), essa também poderá ser substituída a partir do momento que houver uma massa crítica biônica contra a existência Estatal e seus tentáculos a demandar seus pizzi da população. As condições tecnológicas estão em pleno desenvolvimento para a implementação de um Governo Mundial que pode ser uma mescla de Feudalismo 2.0, anarcocapitalismo e o Capitalismo de Estado Chinês.
Quais os motivos para crer nessa suposta insanidade? Bem, já existem inúmeros ecossistemas de cashback e vantagens financeiras válidas apenas em determinadas lojas e serviços, o que permite a determinadas empresas possuírem domínio e público cativo sem um mínimo de coerção, como pequenos reinos que possuem as próprias leis e uma unidade própria de valor. A IA e a tokenização de artigos como dinheiro e propriedades privadas podem, respectivamente, acabar com a necessidade de um Estado ciclópico, desde grandes tribunais a repartições públicas com seus funcionários entorpecidos pela síndrome de pequeno poder, e quaisquer meios de acúmulo de propriedade por meio de esforço e trabalho. Já o Capitalismo de Estado proporciona a concentração total dos meios de produção pelo uso das trocas pecuniárias e o controle da população por meios de crédito social. É a união de todas as distopias já imaginadas por George Orwell, Aldous Huxley, Ray Bradbury, Philip K Dick e outros vultos da literatura... Ou seriam exemplos de programação preditiva?
No meio desse desdobramento possível e completamente desanimador, o que fazer para suplantar? Sobrevivam. Busquem formas mais autônomas de vida e que dependam o mínimo possível do Estado e de outras facilidades contemporâneas. É hora de voltarmos às origens e rever os hábitos e modus operandi de nossos bisavós para uma subsistência que, embora seja desafiadora para os Filhos do Verão (como chamo carinhosamente os Late Millennials e GenZ), irá compensar pela maior autonomia, algo tão raro quanto privacidade nos dias de hoje, assim como o bom senso. Se o Admin, que é alguém precavido e sábio, passou por apuros com seu honrado pai, imagine alguém que sempre está a um mês da própria bancarrota com as armadilhas e distrações que o Sistema oferece?